Quarta-feira, 20 de Março de 2013

XXII

Pedacinho de mim, quem o quer ser

quem quer em minha alma habitar

quem quer ser rosa ou cravo a ofertar

ao amor que o tempo e a noite irão matar?

 

Não sei os cravos, o canteiro recusou esses

craveiros em que as flores eram sangue e agonia.

Só as rosas ficaram. Mas a seu tempo

todas elas murcharam e o perfume foi intensa melodia

que ao meu peito invadiu e o feriu.

 

As rosas e os cravos flores belas são

mas matam e destroem corações

que se entregam à paixão e ao amor e

cravam um no outro amarga dor.

 

Recusei os cravos, não recebi as rosas

ficou meu coração amargurado e fundiu-se no tempo,

aguardando novo sonho, novo fado

canteiro ou roseiral plantado

em jardins de ilusões, sinas ou prosas.

 

Felipa Monteverde

publicado por Felipa Monteverde às 22:33
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Sábado, 16 de Março de 2013

XXI

 

Estou vazia de sentidos.

Este silêncio em mim é uma tortura

que me mata a alma a pouco e pouco

e me afoga o ser em versos ressequidos.

 

Achei que eras mais um sonho atirado ao vento

um pensamento ou alimento que não tive

uma promessa jamais feita e que nunca mantive

 

Mas descobri em mim um fado triste

numa primavera em que as flores não floriram

em que as aves não fizeram ninhos

em que o sol morreu e tu partiste.

 

Felipa Monteverde

publicado por Felipa Monteverde às 22:33
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Domingo, 3 de Março de 2013

XX

 

E o tempo, o que era o tempo nesse tempo?

Dor, amor, miséria, era tudo o que eu sentia,

pobreza do carinho que não davas.

 

Era o tempo um aliado dos teus vícios

cúmplice do medo que me atacava quando demoravas em chegar.

Era o tempo a longa espera pelas frias madrugadas

lençóis de mágoas, de revolta, de cansadas esperanças

era o tempo uma quimera que me envolvia e torturava.

 

Foste embora. Partiste.

Não sei se ainda te espero

não sei se este desespero e esta mágoa que

tolero ainda são restos de ti.

Partiste. Mas nunca estiveste aqui.


Felipa Monteverde

publicado por Felipa Monteverde às 19:06
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XIX

Gelavas o amor que então nascia,

cobrias de impudor as alegrias que me davas

por te dares assim. Mas assim gelado era o teu corpo

e apenas no meu ser havia fogo

que em ti se transformava em mar de mim.

 

Mar de mim, mar em mim,

e era tudo o que eu sentia, era esse

sentimento de azia, era esperança vazia

que me inundava o peito e envenenava

o sabor que do teu beijo em mim ficava

o gosto do prazer com que eu te amava.

 

Amava-te, amava-te e morrias

matavas sempre em mim essa paixão

dormias no meu peito e então eu percebia

a extensão dessa verdade, que o amor é fogo que arde e

não se vê ou então é gelo, gelando a quem crê que

o amor pode ser alma, sonho e fé.

 

E era só o mar, era o mar que em mim ficava

era a silenciosa madrugada, era o desespero de

ficar presa ao instinto de saber que ao teu lado eu iria morrer

nas ondas deste mar de negras águas em que

me afundo e adormeço.


Felipa Montevrde

publicado por Felipa Monteverde às 19:02
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XVIII

Sonhos de nada eram o tempo e a madrugada em que
chegavas, rosto gelado de neve e assombro pela
inquietude desta estrada.
Estrada da vida, caminho percorrido na ansiedade de
encontrar um leito e uma verdade que te satisfizessem
sem cansaço. E um abraço
era tudo o que ansiavas e pedias
era tudo o que de mim tu só querias
era o fogo em que ardia o meu corpo e sufocavas.

Chegavas e partias, eu ficava novamente em prantos
marés de sal e de temor em tantas recordações vazias
quantos sonhos de amor jamais teria.

Amor é fogo, dizias sem querer
no abraço que eu tardava a oferecer
nas palavras que jamais te ouvi dizer.
E eu era isto, esta sede de amar, este fogo
a queimar a alma e o corpo em que habitavas.

Sofria só, esta angústia e ânsia em mim trancadas
tantas aguardadas madrugadas e o meu leito arrefecido
jamais apetecido em manhãs assim geladas.

Felipa Monteverde
publicado por Felipa Monteverde às 19:00
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