Quarta-feira, 12 de Dezembro de 2012

VIII

Ó tempo que definhas o passado em que fui presente

ou futuro ou rosa ardente, vaso de flor murcha ou daninha,

para onde me transportas, aonde levas este mar

em que os meus sonhos me obrigam a morar

entre sargaços e as sombras de almas mortas?

 

Passei no tempo e vi o sentido que não tinha

antes de ser verbo ou adivinha que nunca descobri.

Jamais soube o que fazer, antes de fazer certo ou errado

medo encoberto e disfarçado numa alegre forma de viver.

 

Viver a rir, a sorrir sempre,

enquanto por dentro o peito sangra

e a alma sente que vai escurecendo

enquanto brinca defendendo-se da gente.

 

Gente que não sabe ou desconhece

o sentido de ser e nunca ser

o feitio imprevisto que hão de ter

as marés de um mar que em mim fenece.

 

Fenece.

Fenece-me a alma e este mar

ondas gigantescas se guerreiam

entre as marés de lágrimas que ondeiam

no meu peito e lá querem ficar.


Felipa Monteverde

publicado por Felipa Monteverde às 09:41
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2 comentários:
De Ailime a 14 de Dezembro de 2012 às 01:39
Felipa, que poema maravilhoso!. Poesia vinda da sua alma e que emociona! Gostei imenso. Bjs Ailime
De Ailime a 18 de Janeiro de 2013 às 14:21
Que dizer de um poema com esta enorme beleza e grandiosidade? Soberbo. Tem mesmo que publicar, Felipa . beijinhos. Ailime

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