Quarta-feira, 23 de Janeiro de 2013

XV

Nada em ti é claro,

obscurece o sonho e nada sei ou vejo.

Todas as marés são mar que invejo,

navio navegando em sonho vago.

 

Navio que persegue quem eu sou

nas marés de sal e dor que me torturam;

pensamento de nostálgica amargura

que na minha mente se abrigou.

 

Penso em ti... lembro-me de nós

e vejo que quem eras nunca foste.

Que fingias ser dia e eras noite.

Que me dizias mel e eras fel após.

 

Não pretendo retornar à casa antiga,

não pretendo ser o eco dos teus passos.

Não quero mais prender-me nos teus laços,

não quero que os teus olhos me persigam.

 

Sou maré, tu és maré.

Nossas vagas encontram-se e combatem.

Nossas almas abraçam-se e se abatem,

aves mortas caindo aos nossos pés.

 

Felipa Monteverde

publicado por Felipa Monteverde às 21:39
link do post | comentar | favorito
1 comentário:
De Ailime a 24 de Janeiro de 2013 às 20:29
Felipa, mais um poema fabuloso. Que dizer? Apenas que publique. Beijinhos (emociono-me sempre quando leio os seus poemas) ailime

Comentar post

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Novembro 2013

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30

.posts recentes

. XXV

. XXIV

. XXIII

. XXII

. XXI

. XX

. XIX

. XVIII

. XVII

. XVI

.arquivos

. Novembro 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

.links

blogs SAPO

.subscrever feeds