Sábado, 29 de Dezembro de 2012

XII

Caí na praia, vinda do espaço em que amei.

Afundei os pés na água negra dos teus medos

molhei meu corpo nas mágoas que albergavas

suportei o frio dos teus beijos, o calor do teu veneno

o inebriante odor a sal e feno que a tua pele exalava

e que me era tortura e palavra.

 

Amor. Paixão. Ardor.

 

Escolhi todas as palavras que o

teu corpo me rendia e rendida fiquei

num tempo que me cativava ao teu redor.

 

Felipa Monteverde

publicado por Felipa Monteverde às 21:27
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Quinta-feira, 27 de Dezembro de 2012

XI

E eu sei lá, eu sei lá quem não vivo

quem não me conheço ou sou

quem a minha alma quer ou recordou

num sonho ou pesadelo ou mar esquivo.

 

Mar de mim, mal de amor

mar de sentidos inexatos

que me toldam o olhar e escondem factos

e mudam negras marés em falsa cor.

 

Cor de rosas, de palavras,

de sentidos ou poemas esquecidos em

dias que se foram, já perdidos

tantos sonhos em que não acreditei.

 

E se o tempo parasse?

Se se desvanecesse esta ânsia no meu peito

esta angústia de nunca ver satisfeito

o desejo de te ver?


Felipa Monteverde

publicado por Felipa Monteverde às 22:38
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X

 

Fado, ó fado, sina ou sorte

que me persegues em todos os passos

nestes caminhos em que abraços

são um balsamo doce para a morte.

 

Morro, morro aqui, só

sozinha neste mar

que me inunda a alma de luar

enquanto me sorri e mata e mói.

 

Ó sonhos, ó pesadelos sem fim

por que me deixais assim perdida?

De todos os destinos que há na vida

por que me calhou este em que nasci?

 

É fado ou sina ou sorte

é sonho, fantasia, utopia

o querer amar, amar um dia

sem me lembrar que amar é a minha morte

sem recordar que eras tumba em que eu jazia?

 

Jazia… como um barco ancorado

entre as mansas águas de um mau fado

que me tornava enfim cova vazia.


Felipa Monteverde

publicado por Felipa Monteverde às 22:36
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Terça-feira, 18 de Dezembro de 2012

IX

Viver assim é sentir na alma todas as tempestades

todas as marés que hão de vir quando

tu cá chegas pelas tardes. E tarde é.

Tarde para ouvir o coração ou o espaço que ocupas

no meu peito e na alma, onde oculto tantas

razões para não sorrir.

 

Meu rosto é triste.

Mas só o é por dentro, só por dentro ele deixa

que as marés – vagas de medo e queixa – o inundem

deste amor que mata e dói.

 

Dói-me o sentido, dói-me o mar em que habito

e não entendo tantas lágrimas

tantas marés a morar dentro de mim.

 

Ó choro que me inundas, vai-te daqui

vai-te do tempo em que secretamente ainda

espero o tempo de sentir que te afundas.

Que te afundas no peito e na alma em que já cri

no rosto que outrora tive ou vi

junto ao meu no travesseiro.


Felipa Monteverde

publicado por Felipa Monteverde às 23:14
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Quarta-feira, 12 de Dezembro de 2012

VIII

Ó tempo que definhas o passado em que fui presente

ou futuro ou rosa ardente, vaso de flor murcha ou daninha,

para onde me transportas, aonde levas este mar

em que os meus sonhos me obrigam a morar

entre sargaços e as sombras de almas mortas?

 

Passei no tempo e vi o sentido que não tinha

antes de ser verbo ou adivinha que nunca descobri.

Jamais soube o que fazer, antes de fazer certo ou errado

medo encoberto e disfarçado numa alegre forma de viver.

 

Viver a rir, a sorrir sempre,

enquanto por dentro o peito sangra

e a alma sente que vai escurecendo

enquanto brinca defendendo-se da gente.

 

Gente que não sabe ou desconhece

o sentido de ser e nunca ser

o feitio imprevisto que hão de ter

as marés de um mar que em mim fenece.

 

Fenece.

Fenece-me a alma e este mar

ondas gigantescas se guerreiam

entre as marés de lágrimas que ondeiam

no meu peito e lá querem ficar.


Felipa Monteverde

publicado por Felipa Monteverde às 09:41
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